Dá para começar a publicar em uma semana. O que não dá é para começar sem decidir antes o que o escritório não vai publicar nunca.

Comece pela lista do que não se faz

Parece contraintuitivo abrir uma estratégia de conteúdo por uma lista de proibições, mas é o que economiza mais tempo. Escreva uma página com as vedações: nada de resultado de caso, nada de depoimento de cliente, nada de promessa de ganho ou prazo, nada de comparação com colegas, nada de oferta de consulta.

Essa página vira o filtro por onde toda pauta passa antes de virar roteiro. Sem ela, o escritório produz uma leva inteira, descobre o problema na aprovação e joga o trabalho fora — ou, pior, publica e descobre depois.

Distribua a lista para quem produz. Se houver agência envolvida, ela precisa saber disso no briefing, não na revisão. Fornecedor que trata a restrição como detalhe é fornecedor que vai entregar peça inservível.

Escolha temas que já existem na sua rotina

O melhor banco de pautas de um escritório é o histórico de perguntas que chegam. Aquilo que três clientes por semana perguntam na primeira reunião é, por definição, um tema com demanda e com utilidade — os dois ingredientes de conteúdo informativo.

Priorize dúvidas específicas em vez de temas amplos. "Direito trabalhista" não é pauta; "o que conta como tempo à disposição do empregador" é. A dúvida específica atrai quem tem exatamente aquele problema, que é justamente quem eventualmente vai precisar de um advogado.

Áreas com maior volume de dúvida recorrente costumam ser previdenciário, trabalhista, consumidor, família e sucessões, direito médico e da saúde e imobiliário. São campos em que a pessoa pesquisa antes de procurar profissional.

A estrutura de um vídeo que funciona

Abra pela dúvida, não pela apresentação. Os primeiros três segundos decidem se a pessoa continua, e "olá, meu nome é fulano, sou advogado especialista em" perde a audiência antes do assunto aparecer. Comece pela pergunta que o espectador tem na cabeça.

Entregue a resposta cedo e desenvolva depois. Conteúdo que segura a informação para o final pode funcionar em vídeo longo; em Reels e Shorts, ele só ensina o público a não esperar.

Feche com convite a acompanhar, não com oferta. "Se isso te ajudou, tem mais no perfil" cumpre a função sem cruzar a linha da captação. É uma frase pequena que muda a natureza jurídica da peça inteira.

Identificação profissional não é rodapé

A peça precisa identificar quem responde tecnicamente por ela: nome e número de inscrição na OAB. Isso não é ornamento de rodapé — é requisito da norma de publicidade, e a sua ausência é das falhas mais fáceis de constatar numa fiscalização.

O detalhe que mais escapa é que conteúdo de rede social conta como divulgação. Muita gente aplica a identificação no site e no cartão, e esquece do story — que é publicidade tanto quanto os outros.

Posicione a identificação onde ela não atrapalhe a leitura, mas onde apareça. Em vídeo vertical, a faixa inferior costuma competir com a interface do aplicativo; um pouco acima resolve.

Impulsionar pode. Anunciar serviço, não

O Provimento 205/2021 permite impulsionar conteúdo — e essa é a parte que mais gera dúvida, porque muita gente ainda acredita que qualquer verba em mídia é proibida. Não é. O que a norma exige é que a peça impulsionada mantenha caráter informativo, não configure oferta de serviços e preserve sobriedade e discrição.

A diferença prática: impulsionar um vídeo que explica como funciona a revisão da vida toda é permitido. Impulsionar um anúncio de "faça sua revisão conosco" não é, e o fato de o formato ser vídeo não muda nada.

Como o impulsionamento amplia alcance, ele também amplia exposição. Uma peça no limite que passaria despercebida organicamente vira visível para colegas e para a fiscalização quando ganha verba.

Frequência vence produção cara

Um vídeo por semana, simples e correto, constrói mais autoridade do que três produções caprichadas por ano. O algoritmo premia constância, e o público associa quem aparece com regularidade ao tema que ele explica.

É aqui que produção com IA muda a equação: o custo de publicar toda semana deixa de ser um bloco de agenda recorrente e passa a ser a aprovação de uma pauta. Para escritório em operação, essa é a diferença entre a estratégia sobreviver e morrer na terceira semana.

Meça o que interessa. Retenção e salvamento dizem se o conteúdo é útil; número de seguidores diz pouco. E nenhuma dessas métricas deve virar promessa de captação — nem para o mercado, nem para você mesmo.

Quem faz o quê dentro do escritório

A estratégia trava quando não há dono. Se a produção de conteúdo é responsabilidade difusa de "todo mundo que tiver tempo", ela é responsabilidade de ninguém e morre no primeiro mês cheio.

O arranjo que funciona separa duas funções. Uma pessoa da banca aprova pauta e faz a revisão técnica — é indelegável, porque é ela quem responde perante o Tribunal de Ética. A execução, que consome a maior parte do tempo, pode ser inteiramente terceirizada ou automatizada.

Reserve um horário fixo semanal para a aprovação e trate-o como compromisso com terceiro. Trinta minutos de agenda protegida sustentam um mês inteiro de publicação; a ausência deles derruba qualquer plano, por melhor que seja.

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